Abandonando a própria vida Maio 16, 2008
Posted by Zailda Coirano in A arte de conciliar.Tags: missão
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Antes mesmo de um filho nascer, desde aquele momento em que descobre que está grávida, a mãe já começa a priorizar o filho que está para chegar. Sua rotina é drasticamente alterada em função do bem-estar do futuro ser que está carregando. Quando ele nasce tem suas exigências e naturalmente ela vai tentar suprí-las da melhor forma possível, esquecendo-se (freqüentemente) até de si mesma em sua sagrada missão de criar outro ser humano.
O papel de mãe é o esteio da sociedade, nós mães criamos os seres que a formam e somos a fonte que a supre e que garante que ela não irá se extinguir. Nessa missão (que dizem ser sagrada) muitas vezes deixamos nossos próprios interesses e nossas necessidades físicas, emocionais e profissionais em segundo plano.
Esse papel tem lá seus encantos e suas muitas compensações, mas é uma função vitalícia, não há um prazo predeterminado para que o deixemos para cuidar em tempo integral de nossa própria vida. Talvez por isso muitas profissionais hoje preferem deixar os filhos para mais tarde, quando já estejam com sua carreira estabilizada, porque sabem que depois de ter um filho muito do seu tempo e esforço terão que ser direcionados em sua criação.
A sociedade hoje nos impõe uma divisão de tarefas à qual fomos nos adaptando com o correr do tempo mas que é sem dúvida massacrante. Além do filho temos também em nossa vida (a exigir tempo e atenção) chefe e marido, sobrando assim muito pouco tempo para nós mesmas. Muitas desistem de si mesmas e levam uma vida sub-humana, vivendo de forma quase que secundária, tendo como fonte de realizações e satisfações a vida, realizações e satisfações de outras pessoas.
Quando essas pessoas (no caso os filhos) saem de sua vida para viver as suas próprias ela torna-se um ser lamuriante que exige constante atenção ou uma pessoa frustrada que lamenta não ter construído sua própria vida baseada em suas próprias necessidades.
Ser mãe não precisa ser “padecer num paraíso”, podemos e devemos ser felizes como todos os mortais e aqui mesmo, no planeta Terra. Saber dosar o esforço que dispendemos com atividades de nosso próprio interesse com o que usamos em funções em favor de outros pode significar a diferença entre uma vida normal ou uma sub-vida cheia de frustrações.
Não culpe seu filho se sua vida não é ou foi o que você esperava. Não se escude em seu filho para se desculpar por não fazer o que planejou para sua vida. Vá à luta, não deixe para depois porque como eu disse, a maternidade não tem prazo de validade, dura para toda a vida e quando finalmente você sentir que sua “missão” está cumprida pode ser tarde demais para viver o que lhe resta.
(zailda coirano)


